HISTÓRICO DE AREIA DE BARAÚNAS

Antes do povoado de Areia de Baraúnas, estas terras já eram habitadas por índios Pegas e Panatis da família Cariris e por volta do ano de 1871 o senhor José Vermelho de origem cafuza que estava fugindo dos maus tratos das senzalas, chegou às margens do Rio Farinha ao lado do Planalto da Borborema no alto sertão da Paraíba ficando amigo dos índios.

Neste local tinha a predominância de uma vegetação típica do sertão, mas ao observar ao seu redor ele viu que aqui existia um outro tipo de vegetação, umas arvores lindas de tronco escuro que chegavam a medir 15 metros de comprimento.

Suas folhas verdes-oliva contrastam com as flores de pétalas amerelo-douradas e com os cálices de pêlo em tom ferrugem. Ao verificar tanta beleza, ele viu que os índios utilizavam a madeiras destas árvores para construir seus utensílios de caça e guerra por que esta madeira era bastante resistente, então ele resolveu construir uma pequena choupana ao lado do rio onde os índios se abrigavam. Ele notou que o tronco da Baraúna era madeira de qualidade, e que era muito explorado nessa época para diversos fins desde a construção de móveis até a fabricação de remédios, ele chegou a esta conclusão por que ele via nas casas dos seus senhores móveis lindíssimos feitos com este tipo de madeira. Com essa descoberta ele começou a fabricar móveis para vender e teve bons resultados por que a madeira de Baraúna era muito bonita e deixava os móveis deslumbrantes. Assim ele viveu durante muito tempo em convívio com essas tribos indígenas utilizando o plantio de algodão, de feijão e outros tipos de plantio, com a ajuda desses índios ele começou a construir e transportar esses móveis e os plantios para as cidades mais próximas, como Taperoá, Passagem, Teixeira e Patos.

Muitos anos se passaram, e como o senhor José Vermelho estava tendo bons resultados nesse comércio, outras pessoas que acompanharam todo o percurso deste homem resolveram então a vim também tomar posse de uma pequena parte dessas terras. Famílias como a do senhor Francisco Alves de Souza, mas conhecido como Chico Belino que construiu a primeira casa desta pequena aldeia que começava a se elevar, e também a do senhor Pedro Lino, mas conhecido como Pedro Bala. Essas famílias começaram a trabalhar para aumentar e melhorar suas condições de vida se juntando também com as tribos e com o senhor Vermelho.

Essa pequena aldeia agora habitada por índios, cafuzo e homens brancos, pertencia à cidade de Patos. O senhor Zé Vitor era um homem lutador e sempre juntamente com aquela população buscavam sempre o melhor para todos. Foi a partir dessa união que eles resolveram construir uma pequena capela para aquelas famílias rezarem, visto que muitos eram e não tinham onde rezar. Com a elevação da capelinha muitas outras famílias vieram paras as celebrações. Vendo que ali era muito bom para o plantio e a criação de animais, essas famílias resolveram se estalarem nesse lugar e construíram suas casas ao lado da igreja onde fizeram suas primeiras feiras livres, vendendo animais, frutas, legumes, artesanato, roupas, entre outros produtos, e vinha gente de toda parte para vender seus produtos e também comprar.

Daí em diante a pequena aldeia foi crescendo, chegando a se tornar uma pequena comunidade, com isso o senhor Zé Vitor que era um homem sempre a frente dos problemas, dali resolveu dar um nome àquela comunidade. Pensando bastante e conversando com seu povo, todos resolveram dar o nome daquele pequeno povoado de Areia de Baraúnas devido ao fato de que por perto da capela corria um pequeno riacho que ao seu redor era repleto de muitas Baraúnas, então assim ficou sendo conhecida por todos que vinham visitá-la.

Nessa comunidade ainda não se tinha luz, as pessoas utilizavam o lampião e a vela para iluminarem suas casas. Foi tentando resolver esse problema que o Prefeito de Patos Darcilo Wanderley resolveu comprar e doar aquele povoado um motor a óleo para iluminar as noites dos Baraúnenses. Esse motor veio e era ligado das 18hs às 21hs da noite, primeiro ele dava um sinal para todas as pessoas irem para as suas casas e depois desligava.

Os moradores da comunidade sempre que queriam comprar algo para sua comunidade se reuniam e juntos compravam, como foi o caso das bancadas da igreja onde todos sentiram a necessidade de ter bancos para os fiéis sentarem, visto que a capelinha não tinha nenhum lugar para sentar. Devido a grande estiagem que acontecem nessa região o pessoal fizeram promessas junto a São José para que se chovesse, tornando-se assim São José o padroeiro desta cidade.

Por volta de 08 de setembro de 1916 a comunidade de Areia de Baraúnas passou a ser Distrito de Passagem, tendo como o seu fundador o senhor José Vitor do Nascimento (Zé Vitor), deixando assim de pertencer à cidade de Patos. Através de muita luta e esforços o distrito de Areia de Baraúnas emancipou-se politicamente elevando-se a município através da Lei Estadual nº 5.923 de 29 de Abril de 1994 desmembrando-se da cidade de Passagem, passando então a ser um município independente que não mais iria precisar de Passagem para resolver os seus problemas, como os de saúde, transporte e educação.

Durante esses três (03) anos de independência, Areia de Baraúnas passou por difíceis momentos, porque tudo que tentava conseguir com Passagem não tinha êxito. Em 1º de Janeiro de 1997 ela foi instalada oficialmente como município, havendo sua primeira eleição constitucional para prefeito e vereadores, sendo eleito o prefeito Antônio Pereira Neto (Antônio Mineral), tendo como vice o senhor Clodomiro E. de Andrade (Tidin). Sendo criado posteriormente o Distrito de Bananeiras situado a 42 km da sede do município. Em 2000 elegemos o nosso segundo prefeito, o senhor Adelgilson Balduino da Nóbrega Filho (Gilson Mineral) tendo como vice o senhor Clodomiro E. de Andrade.

ASPECTO GEOGRÁFICO

Micro Região do Seridó Ocidental Paraibano, situado as margens do Rio Espinharas, cercado por várias serras altas, como a serra do Melo e a serra da Pedra Rachada e pelo Planalto da Borborema. Com uma área de 102 km², o seu clima é bastante quente e seco, com temperatura média variada entre 22º a 36º, ocorrendo baixas temperaturas durante a noite.

Como toda região do Sertão Paraibano, a vegetação que predomina em Areia de Baraúnas é a caatinga, um tipo de vegetação adaptado a carência d’água, como xiquexique, jurema, favela, etc.

O município de Areia de Baraúnas é banhado pelo rio da Farinha, dentre os açudes destacamos o açude Anis, Barragem do Caudaloso, açude da Onça e açude do Agreste.

Limites:

  • Ao Norte: com São Mamede e Santa Luzia;
  • Ao Sul: com Taperoá e Cacimbas;
  • Ao Leste: com Salgadinho e Junco do Seridó;
  • Ao Oeste: com Passagem e Quixaba.
  • Areia de Baraúnas fica a uma distância de 257 km da Capital do Estado, João Pessoa.


ASPECTO ECONÔMICO
 
As principais atividades desenvolvidas ao município de Areia de Baraúnas estão situadas basicamente no setor primário, sendo que a agricultura é o principal segmento, e as culturas de maior relevância são: algodão, feijão e milho. Na pecuária destacamos os rebanhos: caprino, ovino e bovino.


ASPECTO CULTURAL

Na educação há funcionando o curso de ensino fundamental de 1º a 9º ano. Há no município 04 (quatro) estabelecimentos de ensino, 01 (um) Estadual e 03 (três) municipais na sede. Já na zona rural funcionam 10 escolas municipais. Alguns nomes como Pimenta, Orestes e Severino Velho ficaram conhecidos por todos da nossa localidade e de cidades circunvizinhas. Orestes ficou bastante conhecido por que gostava muito de beber e ficar nas calçadas conversando sozinho sem fazer mal a ninguém e grande parte das crianças de nossa cidade tinham medo dessa pessoa, porque ele gostava muito de cantar músicas para elas.

Pimenta que andava com um saquinho de lado cheio de roupas e vive viajando de uma cidade para outra para se encontrar com seus irmãos. Ele é tido como um doido, mas de doido não tem nada. Ele sabe ler e escrever e conserta carros como ninguém, tem um defeito por que não gosta de tomar banho. Severino Velho era um tropeiro que vivia andando por toda a região vendendo mercadorias e prestando serviço com sua tropa de jumentos a comunidade. Ele era um velho curandeiro, apesar de não saber ler nem escrever, ele rezava e saia curando as pessoas com sua reza e gostava também muito de ler o destino das pessoas através da reza. O vaqueiro é um dos tipos humanos que viveram em nossa comunidade cuidando do gado.

PRINCIPAIS MANIFESTAÇÕES FOLCLÓRICAS

  • Costumes e festas populares: Festa de São José (Padroeiro da Cidade) e Carnaval, vaquejada e agorinha, romarias, cantorias e desafios de viola.
  • Lendas ou Mitos: a lenda da pedra rachada que antes se chamava pedra da janela; e a lenda do Caudeloso.
  • Artesanato: Chapéu de couro, fabricação de vassoura, roupa de algodão, potes de barro, chinelo de couro, fio de algodão.
  • Pratos típicos: Pamonha e canjica.
  • Principais produtos agrícolas: feijão, milho e algodão.
  • Pecuária: criação de aves, bovinos, caprinos e ovinos.

ASPECTO SOCIAL

O município de Areia de Baraúnas interliga-se com Quixaba, Patos, Cacimba de Areia e Salgadinho. O tipo de transporte usado no município é a camioneta, jipe, caminhões, carros, motos, carroças e animais. O município possui 03 (três) ônibus escolares, destes, 01 (um) encontra-se em mal estado de conservação e 02 (dois) foram adquiridos recentemente. Além dos ônibus escolares, o município conta ainda com camionetas locadas para servir de transporte para os alunos tanto para transporte dentro do município quanto para transportar alunos para cidades vizinhas, a exemplo de Patos e Desterro. Este município conta também com 04 (quatro) veículos FIAT UNO, 01 (um) veículo GOL e 01 (uma) ambulância, todos destinados à Secretaria de Saúde, atendendo assim toda a sua extensão territorial.

Os meios de comunicação existentes são: posto de serviço telefônico, televisão, celular, rádio e internet. Sob o aspecto religioso predomina a religião católica, havendo uma pequena quantidade de evangélicos que a cada dia que passa está crescendo bastante.

 

ASPECTO SANITÁRIO

O abastecimento de água do município é efetuado através de encanamento até as residências da zona urbana, sendo o manancial das águas: cacimbas e poços.

Não há tratamento adequado das águas, a população é orientada pelos Agentes Comunitários de Saúde que levam o hipoclorito de sódio para as casas das pessoas para o tratamento das águas. A coleta de lixo é realizada por meio de uma empresa terceirizada. Os dejetos são jogados diretamente em fossas sépticas, com rede de esgoto.

Texto: Hevaldo Palmeira da Silva, adaptado por Hugo Carlos Maia de Sousa.